segunda-feira, 17 de junho de 2013

As manifestações, o quarto poder e as verdadeiras razões



As recentes manifestações nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo contra mais um aumento abusivo nas tarifas públicas têm provocado uma espécie de transtorno bipolar no quarto poder. Inicialmente, a mídia parecia desprezar as razões iniciais dos protestos. Segundo os organizadores do evento, as manifestações foram planejadas para ocorrer de forma pacífica, embora seja impossível controlar os atos de uma multidão descontente.
As manifestações: inocentes agredidos de um lado, vândalos de outro.
Fotomontagem: Folha de S. Paulo, 2013.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Será que o povo brasileiro acordou?

“Deitado eternamente em berço esplêndido”, o povo brasileiro vive em uma espécie de anestesia permanente. Como se não ligasse para a dor dos tantos problemas que temos em séculos de história, assiste pacificamente aos episódios de injustiças sociais e exemplos infindáveis de ineficiência econômica sob uma espécie de conformidade patológica. Exceto apenas espasmos de revoltas, eventuais xingamentos fortuitos em conversas de boteco e algumas vaias esporádicas a políticos corruptos para chancelar a máxima de Lima Barreto: “o Brasil não tem povo, tem público”.

O povo brasileiro vive sob anestesia permanente. Será que acordou?

Fotomontagem: Medicina Intensiva e UOL, 2013.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

PIB 2013: a repetição de 2011 e 2012

(publicado em 18 de dezembro de 2012)
A divulgação, em fins de novembro, do resultado do 3º trimestre do PIB acendeu a luz vermelha na equipe econômica do governo. Apesar dos esforços do Ministério da Fazenda em reaquecer a Economia via consumo das famílias, por meio de incentivos fiscais como a redução do IPI, os decepcionantes 0,6% de crescimento mostraram que é preciso “algo mais” para colocar a Economia brasileira de volta na rota do crescimento. Não seria, assim, absurda a formação de expectativas de que o PIB de 2013 poderá ser tão fraco quanto 2011 ou 2012, visto que o cenário internacional e doméstico tende a não se alterar substancialmente.

Crescimento econômico versus sustentabilidade e bem-estar


O autor britânico Adam Smith, filósofo e economista do século 18, escreveu que o bem-estar está associado à satisfação de necessidades. Fome, frio, insegurança e doenças são situações desfavoráveis para as quais surgem necessidades a serem supridas: alimentação, roupas, moradia e remédios. Sob a ótica de Smith, que então analisava o nascimento da incipiente sociedade capitalista, essa tarefa poderia ser cumprida pelas relações de consumo. Logo, a “mão invisível” do livre mercado, ao possibilitar as satisfações das necessidades individuais, potencializava o alcance do bem-estar social.
Adam Smith, filósofo e economista do século 18: o bem-estar está associado à satisfação de necessidades e essa tarefa poderia ser cumprida pelas relações de consumo, potencializando o bem-estar social.

Foto: University of Chicago, 2013.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A indústria eleitoral



Para ter a ilusória sensação de vivermos em uma democracia representativa, o povo brasileiro tem se sujeitado nas últimas três décadas a uma crescente indústria eleitoral.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Indústria, Ciência e Tecnologia (entrevista à revista imPRESSo)

[Entrevista minha à revista imPRESSo, 17 de janeiro de 2012].

Foto: Future Technology Portal, 2012.

1- Segundo o documento “A Indústria e o Brasil”, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), o caminho para mais crescimento passa pela diversificação da produção e exportação de manufaturas. O Brasil tem fôlego para diversificar e exportar mais em 2012?
R.: O espaço é limitado. A diversificação está relacionada à capacidade produtiva, o que tem a ver com as vantagens comparativas e com a disponibilidade dos fatores de produção, mas principalmente na capacidade de consolidar essas vantagens. Especialmente no que diz respeito à P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), que, no Brasil, é algo que ainda não está ao alcance de muitas empresas, em grande parte pelos altos custos tributários relativos a esse tipo de investimento.
Quanto ao aumento de exportação, essa variável é função direta da competitividade da taxa de câmbio e da demanda estrangeira. E ambas vivem um período desfavorável no caso brasileiro. A taxa de câmbio está sobrevalorizada, em particular pela entrada de capitais financeiros, atraídos, em parte, pelas altas taxas de juros. E a demanda externa vive um momento de incertezas pela estagnação na Europa e nos EUA, além da possibilidade de desaceleração da economia chinesa. O fator “China” é o que tem favorecido o Brasil nas contas externas, porque o consumo daquele país tem elevado os preços das commodities no mercado internacional. Se a China desacelerar, os preços de produtos como soja, açúcar e aço podem cair, o que poderia prejudicar o saldo comercial brasileiro.

domingo, 2 de setembro de 2012

Clint Eastwood: entre o ridículo e a hipocrisia

Clint Eastwood deveria pedir a George W. Bush para explicar a "cartilha responsável" da política fiscal defendida pelos conservadores.
Fotomontagem: imagens obtidas no site www.reuters.com.
Além de ridícula a aparição de Clint Eastwood conversando com uma cadeira como se falasse com o presidente Barack Obama, as “perguntas” por ele colocadas ultrapassaram por muito a linha da hipocrisia. Eastwood poderia ter colocado outra cadeira ao lado da cadeira vazia representando o ex-presidente George W. Bush. Aliás, ele poderia tê-lo convidado a estar em pessoa, já que o ator e diretor compartilha de ideias e princípios conservadores daquele que ficou conhecido nos Estados Unidos como “President Evil”.