domingo, 16 de fevereiro de 2014

A entrada para as drogas (depoimento de Carlos – pseudônimo de C. L. M.)

Estou em um centro de recuperação de dependentes químicos da cidade de São Paulo para conversar com Carlos (pseudônimo de C. L. M.). O jovem de 29 anos que é viciado em crack e cocaína.  Ele adentra a sala de visitas e eu me espanto com a visão do rapaz. Parece ter uns 45 a 50 anos – envelhecimento precoce causado por anos de imersão no mundo das drogas. HIV positivo por se prostituir na fase mais degradante do vício e decidiu procurar ajuda depois de ser duramente espancado por skin heads na Praça da República.
 
C.L.M no centro de recuperação.

Está pela primeira vez no centro de recuperação. Articulado e aparentemente sereno, é completamente diferente daquele estereótipo do viciado em crack que permeia o imaginário do brasileiro médio. Carlos é loiro de olhos verdes, tem formação universitária e passou a adolescência viajando com os pais pela Europa, Estados Unidos, Austrália, fala inglês, espanhol, alemão e francês fluentemente. 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade e a liberdade de expressão

Convido o leitor a uma reflexão imparcial sobre as declarações da jornalista do SBT, Rachel Sheherazade. Tentemos, por um instante, abrir mão de nossos preceitos ideológicos e agir como observadores externos dos eventos recentes e das manifestações (prós e contras) que têm dominado as redes sociais sobre o assunto.

domingo, 19 de janeiro de 2014

PSDB X PT – a guerra que está destruindo o Brasil


Uma guerra está em curso no Brasil. Iniciada em 1994, esta guerra está destruindo o país da pior forma possível: jogando cidadãos uns contra os outros, enquanto os grandes problemas sociais, políticos e econômicos corroem as bases do pacto federativo, do que resta da noção de civilidade e da convivência em sociedade.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quem cola semeia a corrupção

Em 2002, uma articulista da Folha de S. Paulo, Bárbara Gancia, escreveu uma brilhante matéria intitulada “Cola é Instituição Nacional”. Eu, que sempre fui odiosamente avesso à “cola”, não sabia o porque do meu repúdio quase intuitivo a tal prática execrável. Mantive essa intolerância irrefletida, até que o artigo supracitado me trouxe luz à questão e fez com que me irritasse ainda mais quando surpreendo alguém colando.
A cola e a corrupção
Fotomontagem: Prosa Econômica e Veja, acesso em dezembro de 2013.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Primeira pessoa do singular

Às vezes, nossos corações se enchem de esperança. Acreditamos estar fazendo a coisa certa. Aquilo faz sentido, é o óbvio, é o que tem de ser feito. Reunimos todas as nossas energias e seguimos em frente. Acreditando, empreendendo, fazendo.
Acreditamos que outras pessoas partilham das mesmas esperanças, das mesmas revoltas, das mesmas angústias. Acreditamos que seguiremos adiante – e seguimos... Até que olhamos para os lados e percebemos que estamos sós, que ninguém mais acompanha. A primeira pessoa, que julgávamos ser do plural, é do singular.

E eis que sobrevém o que é realmente óbvio. E com a verdade revelada, um sentimento de vergonha por ter acreditado em algo tão ridiculamente impossível. De ver que a esperança, a revolta e as angústias eram somente da primeira pessoa do singular. Enquanto a terceira pessoa do plural, mesmo bradando por breve intervalo, quer na verdade que tudo continue exatamente como está.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

As manifestações, o quarto poder e as verdadeiras razões



As recentes manifestações nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo contra mais um aumento abusivo nas tarifas públicas têm provocado uma espécie de transtorno bipolar no quarto poder. Inicialmente, a mídia parecia desprezar as razões iniciais dos protestos. Segundo os organizadores do evento, as manifestações foram planejadas para ocorrer de forma pacífica, embora seja impossível controlar os atos de uma multidão descontente.
As manifestações: inocentes agredidos de um lado, vândalos de outro.
Fotomontagem: Folha de S. Paulo, 2013.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Será que o povo brasileiro acordou?

“Deitado eternamente em berço esplêndido”, o povo brasileiro vive em uma espécie de anestesia permanente. Como se não ligasse para a dor dos tantos problemas que temos em séculos de história, assiste pacificamente aos episódios de injustiças sociais e exemplos infindáveis de ineficiência econômica sob uma espécie de conformidade patológica. Exceto apenas espasmos de revoltas, eventuais xingamentos fortuitos em conversas de boteco e algumas vaias esporádicas a políticos corruptos para chancelar a máxima de Lima Barreto: “o Brasil não tem povo, tem público”.

O povo brasileiro vive sob anestesia permanente. Será que acordou?

Fotomontagem: Medicina Intensiva e UOL, 2013.