quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Quem cola semeia a corrupção

Em 2002, uma articulista da Folha de S. Paulo, Bárbara Gancia, escreveu uma brilhante matéria intitulada “Cola é Instituição Nacional”. Eu, que sempre fui odiosamente avesso à “cola”, não sabia o porque do meu repúdio quase intuitivo a tal prática execrável. Mantive essa intolerância irrefletida, até que o artigo supracitado me trouxe luz à questão e fez com que me irritasse ainda mais quando surpreendo alguém colando.
A cola e a corrupção
Fotomontagem: Prosa Econômica e Veja, acesso em dezembro de 2013.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Primeira pessoa do singular

Às vezes, nossos corações se enchem de esperança. Acreditamos estar fazendo a coisa certa. Aquilo faz sentido, é o óbvio, é o que tem de ser feito. Reunimos todas as nossas energias e seguimos em frente. Acreditando, empreendendo, fazendo.
Acreditamos que outras pessoas partilham das mesmas esperanças, das mesmas revoltas, das mesmas angústias. Acreditamos que seguiremos adiante – e seguimos... Até que olhamos para os lados e percebemos que estamos sós, que ninguém mais acompanha. A primeira pessoa, que julgávamos ser do plural, é do singular.

E eis que sobrevém o que é realmente óbvio. E com a verdade revelada, um sentimento de vergonha por ter acreditado em algo tão ridiculamente impossível. De ver que a esperança, a revolta e as angústias eram somente da primeira pessoa do singular. Enquanto a terceira pessoa do plural, mesmo bradando por breve intervalo, quer na verdade que tudo continue exatamente como está.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

As manifestações, o quarto poder e as verdadeiras razões



As recentes manifestações nas capitais do Rio de Janeiro e de São Paulo contra mais um aumento abusivo nas tarifas públicas têm provocado uma espécie de transtorno bipolar no quarto poder. Inicialmente, a mídia parecia desprezar as razões iniciais dos protestos. Segundo os organizadores do evento, as manifestações foram planejadas para ocorrer de forma pacífica, embora seja impossível controlar os atos de uma multidão descontente.
As manifestações: inocentes agredidos de um lado, vândalos de outro.
Fotomontagem: Folha de S. Paulo, 2013.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Será que o povo brasileiro acordou?

“Deitado eternamente em berço esplêndido”, o povo brasileiro vive em uma espécie de anestesia permanente. Como se não ligasse para a dor dos tantos problemas que temos em séculos de história, assiste pacificamente aos episódios de injustiças sociais e exemplos infindáveis de ineficiência econômica sob uma espécie de conformidade patológica. Exceto apenas espasmos de revoltas, eventuais xingamentos fortuitos em conversas de boteco e algumas vaias esporádicas a políticos corruptos para chancelar a máxima de Lima Barreto: “o Brasil não tem povo, tem público”.

O povo brasileiro vive sob anestesia permanente. Será que acordou?

Fotomontagem: Medicina Intensiva e UOL, 2013.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

PIB 2013: a repetição de 2011 e 2012

(publicado em 18 de dezembro de 2012)
A divulgação, em fins de novembro, do resultado do 3º trimestre do PIB acendeu a luz vermelha na equipe econômica do governo. Apesar dos esforços do Ministério da Fazenda em reaquecer a Economia via consumo das famílias, por meio de incentivos fiscais como a redução do IPI, os decepcionantes 0,6% de crescimento mostraram que é preciso “algo mais” para colocar a Economia brasileira de volta na rota do crescimento. Não seria, assim, absurda a formação de expectativas de que o PIB de 2013 poderá ser tão fraco quanto 2011 ou 2012, visto que o cenário internacional e doméstico tende a não se alterar substancialmente.

Crescimento econômico versus sustentabilidade e bem-estar


O autor britânico Adam Smith, filósofo e economista do século 18, escreveu que o bem-estar está associado à satisfação de necessidades. Fome, frio, insegurança e doenças são situações desfavoráveis para as quais surgem necessidades a serem supridas: alimentação, roupas, moradia e remédios. Sob a ótica de Smith, que então analisava o nascimento da incipiente sociedade capitalista, essa tarefa poderia ser cumprida pelas relações de consumo. Logo, a “mão invisível” do livre mercado, ao possibilitar as satisfações das necessidades individuais, potencializava o alcance do bem-estar social.
Adam Smith, filósofo e economista do século 18: o bem-estar está associado à satisfação de necessidades e essa tarefa poderia ser cumprida pelas relações de consumo, potencializando o bem-estar social.

Foto: University of Chicago, 2013.