Mesmo com o Plano Real de 1994, a Economia Brasileira
nunca foi completamente desindexada. A chama da indexação permaneceu acesa em
contratos de prestação de serviços essenciais, tais como energia elétrica,
telecomunicações, concessionários de pedágio e de outros serviços públicos
privatizados. Assim como os aluguéis. E principalmente os salários, que puxam
os preços privados livres e obrigam os governos das esferas estaduais e
municipais a reajustarem os tributos incidentes sobre a propriedade, tais como
IPVA e IPTU.
A inflação de 2015 dificilmente ficará abaixo dos 10%. Tomando-se o IPCA anualizado de janeiro a junho, o índice chega próximo dos 12%. Pior: o resultado do IPCA-15 de junho mostra que a inflação está acelerando e não o contrário, conforme se poderia esperar diante de políticas fiscal e monetária fortemente restritivas. A crise fiscal e a crise da Petrobrás adicionam ingredientes amargos na conjuntura econômica brasileira.
As notícias do cenário externo também são bastante
desalentadoras. O iminente calote da Grécia e a inevitável saída da Zona do
Euro coloca em xeque a capacidade financeira de outros países em situação
difícil, como Espanha, Portugal e Itália. Uma desestruturação do Euro geraria
uma forte contração na demanda externa, o que criaria uma restrição ao balanço
de pagamentos do Brasil.
Some-se a tudo isso, um fenômeno que começou a se
tornar mais frequente: instituições financeiras que começam a oferecer
rentabilidade com juros e correção monetária. Assim como o Tesouro Direto, que
tem o produto “Tesouro IPCA”, iniciam um movimento de competir com o governo na
captação de clientes em um cenário de inflação elevada.
Coloca-se, assim, um risco impensável há alguns anos: a
reindexação total da Economia não pode mais ser desprezada. Ainda que a
hiperinflação do final dos anos 1980 seja improvável no médio prazo, lembremos
que o lançamento da correção monetária das Obrigações Reajustáveis do Tesouro
Nacional (ORTNs) do PAEG de 1967 seria a principal causa da alta na inflação
com o fim do “Milagre Econômico” em 1973, quando as torneiras dos petrodólares
e dos eurodólares secaram a liquidez internacional. É uma história que agora
sabemos como começa, mas não como – e nem quando – termina.